Mov 5.7

Vasco Pulido Valente

By 21 de Fevereiro, 2020 No Comments

O Movimento 5.7 partiu da consciência da necessidade de uma federação das direitas, olhando para a capacidade política revelada formalmente no dia 5 de Julho de 1979, quando a Aliança Democrática foi apresentada ao país. No PSD, no CDS, no PPM, e em demais independentes e Reformadores, encontrou-se massa crítica suficiente e capaz para pôr em prática essa primeira, e fundadora, alternativa ao socialismo encabeçado pelo PS, por um lado, e integradora das direitas democráticas e das não esquerdas oficiosas no regime do 25 de Abril e do 25 de Novembro, por outro. Vasco Pulido Valente esteve na primeiríssima linha deste combate político-cultural ao lado de Francisco Sá Carneiro, como explicou em livros e entrevistas que deveriam ser compiladas sob idêntica forma.

Alguns de nós, no Movimento 5.7, fomos testemunhas desse percurso iniciado com maior persistência em 1978, quando Vasco Pulido Valente leccionava na Universidade Católica, e escrevia para jornais. Conhecia, porque a estudara e aprofundara, a história contemporânea portuguesa. Revolucionou, no bom sentido, a história da 1ª República, tão prisioneira de clichés “progressistas” até à sua tese de doutoramento em Oxford. Demonstrou como o lastro bipartidário da Monarquia “fin de siécle”, com os seus “pobres monárquicos” e a tentação republicana já na rua, fermentou o partido republicano, depois democrático, do doutor Afonso Costa e o desvario ditatorial da “República Velha”. Considerou o “marcellismo” uma oportunidade perdida, juntou-se e afastou-se de movimentos anti-Estado Novo, nomeadamente de origem católica em torno da revista “O Tempo e o Modo”, e aterrou no Portugal de Abril para nunca mais largar de mão “o país das maravilhas” que se preparava. Foi membro do governo da AD, como Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro e Secretário de Estado da Cultura.

No texto que escreveu para o livro “Linhas Direitas. Cultura e Política à Direita”, de Novembro de 2019, disse que ele e Sá Carneiro achavam que «o caminho para unificar a direita era a intransigência». «Uma intransigência – continuava – amável, claro, com o conhecimento dos próprios e algumas desculpas, de qualquer maneira irremovível». Vasco Pulido Valente e Adelino Amaro da Costa – conta o primeiro no mesmo lugar – escreveram «o texto do entendimento geral da direita» que, no dia 5 de Julho de 1979, «foi confirmado numa sessão pública em frente de uns vasos com flores.» Este meio século português, da ditadura à democracia, dificilmente se compreenderá sem Vasco Pulido Valente, a quem o Movimento 5.7 rende, aqui e agora, a sua mais profunda homenagem.